Quando eu tinha 18 anos graças a uma amiga chamada Angélica, consegui um emprego como secretária em consultório odontológico. Nesse trabalho eu exerceria basicamente 03 funções, o de secretária, ACD (pra quem não sabe, Auxiliar de Cirurgião Dentista) e de faxineira.
Na entrevista a primeira coisa que meu contratante perguntou foi "Você tem nojo de bába e sangue? Porque se tiver ja nem dá pra tentar" E eu, ansiosa pelo primeiro emprego fixo de carteira de trabalho assinada, respondi que não tinha. E não tenho mesmo.
Na primeira semana de trabalho, minha chefe passou pra mim tudo que eu deveria fazer no consultório, desde a limpeza, como cuidados com os materiais odontológicos, agendamento e recebimento e o nome dos instrumentais e procedimentos odontológicos. Alem da manipulação de medicação e outros materias, cuidado para evitar contaminação. Foi uma overdose de informações. Tanta coisa nova pra aprender.
Era um consultório popular, em sobre loja na frente de vários pontos de ônibus. Tudo bem simples. O perfil dos clíentes era de pessoas mais simples. Nem precisava trabalhar de branco ou de jaleco.
Na primeira semana de trabalho, manchei meu moleton azul marinho com liquido de Dakin, que é exatamente alvejante. Então ja se imagina o que aconteceu. Tambem, nunca mais aconteceu.
Achava o máximo saber o nome de todos os instrumentais, sabia manipular medicação e material de moldagem, vazar modelos em gesso e organizar o consultório e manter tudo limpo e arrumado.
Os dentistas com quem trabalhei eram meus colegas de trabalho, porque tambem eram contratados por esse meu patrão. Eram todos formados na Faculdade publica de Alfenas. Cada ano um diferente recem formado diferente começava a trabalhar.
Eu sabia quase tudo sobre odontologia e a cada dia meu sonho crescia. Mas não acreditava verdadeiramente que um dia pudesse fazer o curso.
A faculdade de Odontologia mais próxima de minha cidade era em Taubaté, mas era particular, Pública era a UNesp em São José dos Campos e até tem o curso noturno. Eu não tinha condições financeiras nem uma pra fazer o curso. Não me achava capas de entrar na publica e mesmo se entrasse, o que ganhava não daria pra comprar o material e pagar a passagem de ida e volat. Mesmo o curso noturno da Unesp São josé dos Campos ficaria bem difícil. Não era capaz de sonhar, nem de tentar.
Mas dentro de mim estava lá, um sonho até que frustrado, em um dia ser dentista. Até me dava o luxo de imaginar como seria. Como eu falaria com o paciente, como eu resolveria um certoi problema, que especialidade eu seguiria. Mas era tudo sonhinho. Nada que eu acreditasse que pudesse realizar.
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